A Pílula Anticoncepcional e suas funções - Portal de Campinas


A Pílula Anticoncepcional e suas funções

A ginecologista e obstetra Carla Soares Franco fala sobre a relação da pílula com a trombose e sua as funções no organismo.

Além de ser indicada como um dos métodos para se evitar uma gravidez indesejada, a pílula anticoncepcional também auxilia no tratamento da endometriose, ovários policísticos, cólica menstrual, acne entre outros. Para responder os questionamentos da maioria das mulheres, o Portal de Campinas conversou com a médica ginecologista e obstetra Carla Soares Franco.

1. Muito se fala sobre a pílula anticoncepcional. Além de método contraceptivo, quais as funções da pílula? 
Anticoncepcionais hormonais auxiliam no controle de oleosidade de pele e cabelo, melhora o fluxo menstrual, cólica (dismenorreia), controle de ciclo menstrual, melhora da TPM. Alem disso, tem efeito protetor no câncer de endométrio (útero), endometriose, câncer de ovário, anemia, miomas, pólipos, cistos funcionais entre outros.

2. Qual a relação da pílula e a Trombose?
Geralmente, a pílula tem efeito positivo no organismo, mas podem aumentar risco de trombose. Esse risco está relacionado ao componente estrogênico das pílulas combinadas e são doses dependentes (existem pílulas combinadas que são estrogênio e progesterona e só de progesterona)
O estrogênio pode provocar desequilíbrios nos fatores de coagulação aumentando o risco de trombose. Porém, esse risco é pequeno e, geralmente, associado a outros fatores de risco para trombose, tais como: hipertensão arterial, diabetes, sedentarismo, tabagismo, obesidade, idade mais avançada e trombofilias (doenças hereditárias).
O risco de tromboembolismo em usuárias de pílula é de 8 em cada 10000 por ano. Se compararmos com a gravidez, esse risco é pequeno. Na gestação, o risco de trombose é de 20 para cada 10000 mulheres e, em não usuárias de pílula, é de 4,4 para cada 10000.

3. Antes de ingerir o anticoncepcional, o ideal seria fizer exames específicos para descobrir se corre o risco de ter trombose?  O histórico familiar também influência?
Quanto aos exames para detectar risco de trombose, não existe um único exame específico. O que existem são 7 exames para investigação de trombofilia, porém  não é indicado pesquisa de trombofilia em todas as pacientes usuárias de pílula.
As sociedades médicas (ginecologia, obstetrícia e hematologia) defendem não investigar todas as pacientes, pois a incidência de trombofilias hereditárias são raras e o evento trombótico também. Além disso, mesmo com um teste negativo não se pode excluir completamente o risco.
O mais importante é conversar e investigar o histórico pessoal e familiar de cada paciente e sempre individualizar cada caso.
Como disse anteriormente, paciente com histórico pessoal de hipertensão, tabagismo, acima de 35 anos, obesidade, diabetes etc.. Devemos individualizar e avaliar risco de pílula com estrogênio.
Assim como paciente com histórico pessoal de trombose é totalmente contra indicado uso de pílula com estrogênio.
Quanto ao histórico familiar, é importante avaliar risco de trombofilia hereditária, mas é necessário avaliar o caso com cuidado.

4. Qual critério a mulher deve usar ao escolher seu método anticoncepcional?
A opção do tipo de anticoncepcional é sempre da usuária, juntamente com seu ginecologista. Temos que levar em conta fatores de risco e benefício, dose e tipo de hormônio, via de administração, praticidade e o objetivo.
Sempre devemos respeitar os critérios de elegibilidade da Organização Mundial da Saúde (tabela de riscos de cada tipo de anticoncepcional).
Atualmente temos anticoncepcionais com estrogênio e progesterona
- Oral continuo ou cíclico
- Injetável mensal
- Anel vaginal (troca mensal)
- Adesivo (troca semanal)

Anticoncepcionais só com progesterona
- Injetável trimestral
- Oral contínuo
- Implante Transdérmico Implanon (duração 3 anos)
- Diu hormonal Mirena (duração 5 anos)

5. Quando a mulher deve iniciar o uso da pílula, pela primeira vez?
Não existe idade mínima para início do uso da pílula, o uso pode ser iniciado em qualquer fase do período reprodutivo da mulher.
Geralmente, quando se dá início a vida sexual (sempre junto com preservativo). Mas há casos em que, se inicia com o objetivo for o controle de ciclo, cólica menstrual, acne entre outros.

6.  A partir de quanto tempo, a pílula começa a fazer efeito?
Deve iniciar no primeiro dia da menstruação, assim já tem efeito contraceptivo no primeiro ciclo. Se não iniciar no primeiro dia deve-se esperar a primeira cartela para garantir efeito

7.  É verdade que não posso tomar pílula sem intervalo? Que preciso parar de tempo em tempo?
Pode usar pílula continua. Não há risco para saúde ou fertilidade. A fertilidade é totalmente reversível. Assim que parar a pílula, independente do tempo de uso ou forma cíclica ou contínua, geralmente, em 3 meses, os ciclos ovulatórios já retornam, há casos em que retornam já no primeiro mês sem a pílula.
A pílula tem efeito protetor na fertilidade ao diminuir o risco de aparecimento de cistos funcionais, pólipos, miomas e endometriose. Exatamente por isso não há necessidade de pausa de tempos em tempos. O organismo não acostuma com a pílula e nem diminui o efeito. Pelo contrário, geralmente se adapta cada vez melhor, conforme o tempo de uso. Alguns efeitos colaterais leves regridem após o período de 3-6 meses de uso, tais como a dor nas mamas.

8.  Há vantagens na pílula sem estrogênio?
O anticoncepcional a base de progesterona pode ser usado em qualquer paciente que deseje anticoncepção contínua, de longa duração (Implanon e Mirena) e, nas pacientes com contraindicação para uso de estrogênio, em pacientes com risco de trombose, com enxaqueca e que estejam amamentando.
Os anticoncepcionais que possuem apenas progesterona são de uso continuo e, em 90% dos casos, as pacientes não menstruam ou têm sangramentos pequenos e espaçados (escapes).

9.  O anticoncepcional engorda e mancha a pele?
As pílulas não engordam! Em alguns casos, a mulher pode ter retenção de líquido, geralmente, associados ao efeito do progestogênio da pílula. As doses dos anticoncepcionais são baixas, porém em pacientes com predisposição genética podem desencadear aparecimento de manchas.
O aparecimento de manchas é um conjunto de predisposição genética somado ao estimulo hormonal, mais exposição ao sol. Além das pílulas, a gravidez e a terapia de reposição hormonal também podem favorecer as manchas.
Quando as manchas surgirem, o ideal é suspender ou trocar o hormônio, reforçar o uso do protetor solar e, buscar acompanhamento com dermatologista para o tratamento específico.

10. É verdade que o anticoncepcional pode causar varizes?
O estrogênio pode favorecer o surgimento de varizes.  O surgimento também é influenciado pela pré-disposição genética, estilo de vida e fatores ambientais. O acompanhamento com vascular é indicado.

Dra.Carla Soares Franco
Mater Baby: Rua Frei Manoel da Ressurreição, 526 - Jardim Guanabara, Campinas – SP. Telefone(19) 3231-7742

Deixe seu Comentário


  • Portal de Campinas

  • Tags

    • Mapa do Site